Autonomia e Aprendizagem: uma realidade possível

Hoje temos texto da Ana Paula Sena e Terezinha Dutra Lima, será a primeira vez que eles escrevem para nosso blog, espero que vocês gostem.

A Ana Paula é Psicopedagoga – Especialista em Neurociências Aplicadas à Aprendizagem e a Terezinha é Psicóloga – Especialista em Saúde Mental e Atenção Psicossocial – Especialista em Psicodiagnóstico Infantil.

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O que é autonomia?
É um conceito que se relaciona a uma ideia de independência, liberdade ou autossuficiência. Em filosofia autonomia é compreendida como algo que determina a liberdade do indivíduo gerir livremente sua vida, efetuando racionalmente as suas escolhas.
Piaget postula que o desenvolvimento da autonomia necessita de uma atmosfera não autoritária, opressora ou intelectualmente moral.
O grande desafio situa-se em compreendermos como ela se constitui nas relações sociais, cabendo uma indagação dos elementos presentes no universo escolar e dos modelos que o aluno necessitaria para ao mesmo tempo atingir um grau de independência sem deixar de ser crítico.
A família deve ocupar lugar privilegiado nesse sentido, estimulando e valorizando o desenvolvimento de personalidades autônomas onde a ética possa ser exercida e estendida a outros setores da sociedade.
A relação que a criança estabelece com o adulto o influenciará de diferentes maneiras, independente do seu papel social, pois tanto pais quanto educadores ao adotarem uma conduta super protetora criam vínculos de dependência dificultando a tomada de decisão dos mesmos. No ambiente escolar os educadores são convocados a buscar estratégias que possibilitem essa construção. Mas como fazer a integração escola/família para uma aprendizagem autônoma? Até que ponto a escola e a família se encontram nesse diálogo?
Pensar em educação é refletir o desenvolvimento humano em constituição, relações afetivas, ambiente familiar, modos de vida e de pensar. O indivíduo/aluno traz consigo toda uma bagagem bio-psico-sócio-cultural para a escola, onde muita das vezes passa a maior parte do tempo.
O acompanhamento diário dos pais, revisando cadernos, agendas, estudando com seus filhos e dialogando nas reuniões ou através de recado aos professores, valoriza a aprendizagem, estimula a responsabilidade do aluno de ser autor do seu próprio aprendizado, fortalecendo o vínculo entre escola/família e entre professor/aluno.
Equilibrar harmonicamente a dinâmica escolar dentro deste caldo cultural é assumir a necessidade da estreita e indispensável parceria com a família, integrando diálogos internos, habilidades acadêmicas e individualidades com acordos de cooperação mútua, onde cada um no seu papel, não se exima de sua responsabilidade no processo ensino aprendizagem tendo em vista o desenvolvimento pleno do aluno.

Referências
ALVES. Rubens. A alegria de ensinar – São Paulo, 1994.
PIAGET, Jean. O julgamento moral na criança – São Paulo, 1977.

Profª Ana Paula Sena
Pedagoga/Psicopedagoga Clínica e Institucional
Especialista em Neurociências Aplicada à Aprendizagem
Especialista em Educação Especial Inclusiva
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/0535610942086713
E-mail: anapaulasennapucca@yahoo.com.br
Cel./whatsapp 99424-3893

Terezinha Dutra Machado Lima
Psicóloga Clínica CRP/05-39711
Especialista em Saúde Mental e Atenção Psicossocial
Especialista em Psicodiagnóstico
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/2784576505879476
Cel./whatsapp 998418-3814

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O que colocar na lancheira do meu filho?

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Uma dúvida que acaba surgindo entre a maioria dos pais de crianças que começam a ir pra escola é o que colocar na lancheira do filho. Até a creche, seu filho provavelmente não precisou que você preparasse seu lanche já que este é oferecido pela (maioria) das escolinhas e esta não era uma preocupação. Contudo, ao ingressar no ensino fundamental a tarefa de preparar o lanche das crianças passa a ser responsabilidade dos pais.

A correria do dia a dia entre trabalho, cuidar da casa, cuidar de si mesmo e cuidar dos filhos acaba fazendo com que muitos pais optem por mandar para o lanche itens práticos, comprados prontos. Contudo sabemos que a crescente obesidade infantil não acontece à toa, ela se deve ao consumo excessivo de alimentos industrializados, ricos em açúcares e carboidratos simples (os quais estão presentes em muitas lancheiras hoje em dia). O lanche que seu filho leva para a escola é uma extensão da alimentação dele a qual precisa ser saudável e também atrativa. Não pense no lanche como uma recompensa que seu filho leva por ter ido na aula! Nada de chocolates, salgadinhos ou doces! Seu filho precisa de energia e nutrientes para aprender melhor e desempenhar suas atividades na escola.

Por isso sugiro que os pais separem um tempo na sua semana (quem sabe no domingo à noite?!) para programar o cardápio de lanche semanal (embora parece algo muito sofisticada ou difícil, não é! você verá a seguir), comprar os itens necessários e deixar pré-pronto ou higienizado tudo que for possível. Esta organização facilita a rotina da família e poupa muito tempo.

O que e em qual quantidade colocar na lancheira do seu filho irá depender da sua idade, período em que estuda e qual refeição fez antes de ir pra escola. Porém de maneira geral a lancheira do seu filho deve conter uma porção de proteína (leite, iogurte, queijo, pasta de frango no sanduíche, ovo), uma porção de fruta ou legume (preferencialmente in natura) e um carboidrato (sanduíche, bolo, cereais).

Ah, e pra manter os alimentos bem conservados e seguros para consumo, sugiro a utilização de lancheira térmica (existem diversas opções no mercado), principalmente aquelas com compartimento interno para gelo. Além disso as frutas devem ser previamente lavadas e secas; o sanduíche ou bolo deve ser enrolado em papel filme ou alumínio para evitar que umedeça.

Abaixo alguns alimentos que devem ser evitados e como substituí-los:

* Bolos e biscoitos industrializados à bolos e biscoitos caseiros, integrais

* Suco de caixinha adoçado e refrigerante à suco natural (fazer cubos de gelo com suco natural bem concentrado e por na garrafinha do seu filho com água), água de coco

* Doces, balas, chocolates à frutas

* Bisnaguinha à pão fatiado ou caseiro

* Achocolatado pronto para beber à iogurte, leite puro

 

Busque sempre variar para que o lanche do seu filho não se torne monótono (tanto pelo paladar quanto pelos nutrientes ofertados). A seguir deixo algumas sugestões de combinações para o lanche das crianças:

 

– Sanduíche com queijo ricota + banana + água de coco

– Bolo integral + iogurte + bergamota

– Pão com requeijão + tomatinhos cereja + ovo de codorna + suco natural abacaxi

– Bolo de cenoura + morangos + iogurte

– Sanduíche com pasta de frango + melão picadinho + água de coco

– Cookies integrais + cenoura baby + queijo branco em cubinhos + água de coco

– Granola + iogurte + pêra + suco natural de uva

– Biscoito de polvinho ou de arroz + ovo cozido + uva + suco natural de manga

 

Comentem abaixo o que costumam mandar de lanche para seus filhos, vamos trocar idéias?!

Com carinho

Nutri Daniella Miranda

CRN2 11488

nutri.daniellam@gmail.com

 

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Tá na hora da papinha!

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As recomendações da Organização Mundial de Saúde relativas à amamentação referem que as crianças devem fazer aleitamento materno exclusivo até aos 6 meses de idade. Ou seja, até essa idade, o bebê deve tomar apenas leite materno e não se deve dar nenhum outro alimento complementar ou bebida. A partir dos 6 meses de idade todas as crianças devem receber alimentos complementares (sopas, papas, etc.) e manter o aleitamento materno
Os 6 meses de vida da criança é uma data aproximada na qual os bebês estariam prontos para receber outros alimentos para complementar o aleitamento. Entretanto, é possível que alguns bebês só se interessem pela comida após os seis meses. E em alguns casos, pediatras recomendam a introdução alimentar antes dos 6 meses quando a criança não mama no peito exclusivamente. Caso haja dificuldades ou dúvidas sobre a hora “certa” de iniciar a complementação alimentar converse com o pediatra do bebê.
Aos seis meses o corpo do bebê já começa a precisar de mais nutrientes do que o leite materno consegue oferecer sozinho. A partir desta idade o bebê passa a ter habilidade física e motora para comer alimentos, sentar-se e a sustentar a cabeça, além de ter capacidade para digeri-los e absorver seus nutrientes adequadamente. Dentro desse período a mastigação se manifesta pelos movimentos verticais; a língua amassa os alimentos contra o céu da boca e consequentemente lateraliza o alimento. Esses movimentos são importantes para fortalecer a língua e para que os alimentos sólidos possam ser amassados e triturados para uma deglutição segura.
O momento de introduzir novos alimentos (período chamado de transição alimentar) pode trazer muitas angústias para as mães. Esse sentimento pode surgir pelas dúvidas comuns, pelo medo de não conseguir manter o filho bem alimentado ou pela dificuldade de descobrir as preferências alimentares do próprio filho. As primeiras experiências com novas texturas e sabores normalmente são acompanhadas por “cara feia”, recusa alimentar, alimento para fora da boca. Esse movimento de língua para fora expulsando o alimento da boca é um reflexo protetivo contra engasgos que nasce com o bebê e que deve desaparecer por volta dos seis meses. Lembre-se: a transição alimentar é gradual e não acontece de uma hora para a outra. Esta fase é o início de um aprendizado.
A própria colher é uma novidade, pode causar estranheza. Dê preferência para que a primeira colher seja de silicone. No início, algumas crianças podem não aceitar ou não deixar colocá-la na boca; outros preferem morder a colher. Há os bebês que já querem eles mesmos segurar as colheres e isso é excelente. Como falei anteriormente é uma fase de aprendizado. Deixe que a bagunça faça parte do aprendizado. Vá devagar, oferecendo uma colher e deixando que ele segure a outra. Não coloque a colher toda na boca de cara. A melhor forma de oferecer é colocar a colher só na pontinha da boca/língua e apoiar no lábio superior para tirar a comida. Aos poucos eles vão começar a abrir o bocão e deixar a colher entrar toda na boca, tirando eles mesmo o alimento.
Mesmo que a criança não goste do alimento ofertado no primeiro momento, continue oferecendo alimentos saudáveis em diversas apresentações, formatos e texturas. Estudos revelam que pode-se levar em média até 10 tentativas para que o bebê coma com vontade determinado alimento. Entretanto, se a recusa for grande, vale a pena deixar esse alimento de lado e voltar a oferecer depois de duas semanas, evitando momentos traumáticos. A hora é de experimentar diferentes gostos, texturas e consistências. Dê preferência para alimentos amassados. Os pequenos pedaços que estarão presentes no alimento amassado ajudarão a criança a descobrir diferentes possibilidades na sua boca. A comida deve ser saborosa. As primeiras papas devem ser de frutas ou de comidas mais doces, uma vez que o bebê está acostumado com o sabor do leite materno que é adocicado. Introduza alimentos gradativamente, escolhendo um ou dois alimentos diferentes por semana para poder observar melhor os gostos do seu filho e possíveis alergias.
Se essa transição for feita de forma natural e sem pressão, é muito possível que em poucos meses você esteja colhendo os frutos e vendo-o comer com vontade e nos horários determinados. No começo, tudo é exploração e aprendizado.
Lembre-se que o sucesso dessa fase acarretará em uma boa articulação dos sons da fala, já que esta, está ligada ao equilíbrio das funções neurovegetativas de respiração, sucção, mastigação e deglutição. Caso você esteja muito insegura ou com dificuldades procure um profissional que a oriente como passar por essa etapa.

Thuila Corezola Ramos
Fonoaudióloga
Crfa 7 – 9786
thuila.fono@gmail.com

A IMPORTÂNCIA DE DESENVOLVER O HÁBITO DA LEITURA

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Pesquisas do mundo todo mostram que a criança que lê e tem contato com a literatura desde cedo, principalmente se for com o acompanhamento dos pais, é beneficiada em diversos sentidos: ela aprende melhor, pronuncia melhor as palavras e se comunica melhor de forma geral. É através da leitura que a criança desenvolve a criatividade, a imaginação e adquire cultura, conhecimentos e valores.
A leitura frequente ajuda a criar familiaridade com o mundo da escrita. A proximidade com o mundo da escrita, por sua vez, facilita a alfabetização e ajuda em todas as disciplinas. Ler também é importante porque ajuda a fixar a grafia correta das palavras. A memória visual é ativada, e este é um recurso importante de aprendizado.

Quem é acostumado à leitura desde bebezinho se torna muito mais preparado para os estudos, para o trabalho e para a vida. Isso quer dizer que o contato com os livros pode mudar o futuro dos seus filhos. Então, o que está esperando? Veja estas dicas e estimule seu filho a embarcar na aventura que só o bom leitor conhece:
– Comece cedo: As pesquisas mostram que quem começa a ler cedo tem mais chances de se tornar um leitor assíduo. Mostram também que o contato com narrativas melhora o futuro desempenho da criança. Por isso, leia para seu filho desde bebê. É importante usar a entonação e a emoção!
– Organize-se: Reserve um horário para a leitura e transforme em um momento de prazer. Aconchegue-se com seu filho, leia para ele, mostrando as palavras. Quando ele crescer, ajude-o na leitura.
– Envolva-se: Antes de qualquer coisa, porque isso vai estreitar o vínculo familiar… Afinal, trata-se de uma experiência compartilhada. Lendo, você ri e se emociona, mostra à criança seu lado humano e capta os sentimentos dela.
– Para crianças pequenas: Muitos dos livros para crianças em fase de pré-alfabetização são verdadeiros brinquedos. Coloridos e dobráveis, eles são muito lúdicos, o que estimula o gosto pelos livros.
– Dê o exemplo: Quer que seu filho leia mais? Então faça o mesmo e comece a substituir alguns momentos em frente à TV pela leitura.
Sempre que estiver lendo um jornal, chame seu filho para ver algo interessante que você encontrou. Pode ser uma tirinha engraçada, uma imagem ou uma notícia do interesse dele.
Não sabe que programas fazer com as crianças? Frequente livrarias. Deixe seus filhos folhearem os livros, leia histórias para eles e, quando possível, leve algum para casa. E, mesmo que você possa, não compre muitos num só dia. Procure manter o hábito de voltar lá outras vezes e levar um por vez.
Boa leitura!!!!

DICAS DE ESTIMULAÇÃO DA LINGUAGEM INFANTIL

linguagem-490x367A estimulação do desenvolvimento da linguagem tem início desde o nascimento. Nos primeiros dias de vida o bebê já interage com o mundo externo. Podemos observar isso com a evolução do seu choro, dos seus movimentos motores, oculares; nos períodos de silêncio, atenção e expressão.
A família tem papel fundamental na estimulação da fala das crianças. Quanto mais a criança for exposta à linguagem, maiores condições ela terá de adquirir a própria linguagem.
Seguem algumas dicas para você ajudar seus filhos no início do desenvolvimento de linguagem:

– Aproveite os momentos de maior atenção da criança para conversar com ela, usando palavras simples e frases curtas, falando de igual para igual.

  – Estimule a comunicação da criança, solicitando que a mesma pronuncie, mesmo que incorretamente, tudo o que solicita ou verbaliza. Evite incentivar o uso de gestos indicativos na comunicação, ou seja, não pegue nenhum objeto sem que a criança tenha falado o nome. Ela deve sentir a necessidade de falar.

– Pronuncie corretamente as palavras, usando boa articulação e entonação, sem usar o diminutivo; Desenvolva sempre as palavras ditas pelo seu filho de maneira correta e motivadora, sem infantilizar a sua fala. É muito importante não falar de forma errada, embora pareça engraçado, apenas prejudicará o desenvolvimento da fala da criança. Por isso, não reforce os erros da criança, achando “bonitinho” como ela fala.

– Mesmo que a criança ainda não fale, é importante ter uma comunicação real com ela, conversando sobre o que acontece em seu dia-a-dia, sobre as brincadeiras, etc.

Aproveite as situações do dia-a-dia, como a hora do banho, do vestir, da alimentação, do lazer, do brincar e a hora de assistir televisão para estimular a comunicação da criança, dando, por exemplo, significado aos objetos, nomeando partes do corpo, atribuindo funções aos brinquedos etc.

 – Escutar deve ser muito prazeroso para a criança e ela deve entender que os sons que escuta têm um significado. Use sinal de escuta. Fale sobre o que ela escutou. Estimule a audição da criança por meio de brinquedos que produzam diferentes tipos de sons.

– É muito importante dar um tempo de espera para a criança escutar e responder o que escutou. Também deixe a criança perceber que existe a vez de um falar e outro ouvir.

– Devolva sempre as palavras ditas pela criança de maneira correta e em forma de frases: Por exemplo, a criança pede água: “ága”. Você deve responder: “Você está com sede? Você quer água?”.

– Cantar músicas é excelente para estimular o ritmo da expressão verbal. Cante sempre e estimule-a a cantar com você; deixe que ela complete algumas palavras da canção.

– Assistir desenhos animados e filmes infantis é uma excelente maneira de criar temas comuns. A diversão é garantida e assunto não faltará.

– Mostrar interesse pela leitura. Para a criança que ainda não sabe ler, interprete histórias. Encante os maiores folheando páginas com figuras e lendo alguns trechos. Contar a mesma história várias vezes. A criançada não exige um conto diferente por dia. A repetição interpretada com entusiasmo e criatividade prende a atenção, gerando expectativa e previsibilidade, itens importantes no processo comunicativo.

– Quando estiver conversando com a criança, esteja sempre no seu campo visual, ou seja, mantenha o contato olho no olho. O toque e o olhar são essenciais para o desenvolvimento da criança, valorize o contato com seu filho (a).

– Estimule os órgãos usados para a fala (lábios, língua, bochechas por meio de vibração e estalo de  lábios e língua (de maneira lúdica: imitar som de carro, do cavalo etc) ou por meio de sons onomatopéicos (som do cachorro, do gato, do telefone, da cobra etc).

– Para ajudá-la no desenvolvimento do vocabulário, faça com que ela identifique as atividades realizadas por ela mesma e atividades do cotidiano. Proporcione sempre palavras novas, mesmo que no momento ela não consiga pronunciá-las.

Todos que convivem e cuidam da criança devem estar comprometidos em estimular o seu desenvolvimento.

 

 

Thuila Corezola Ramos

Fonoaudióloga

Crfa 7 – 9786

thuila.fono@gmail.com

 

 

Lidando com as Crises de Birra

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As birras são manifestações comportamentais observadas com relativa frequência nas crianças. Elas expressam a dificuldade que a criança tem de lidar com as frustrações, e isso é natural no processo de desenvolvimento.

Dos dois aos três anos, a birra é muito frequente. Tanto que a faixa etária ficou conhecida como “os terríveis dois anos”. Neste período, as crianças têm um forte desejo de ver suas vontades realizadas naquele exato momento. Se não são atendidas, choram ou gritam, às vezes batem a cabeça no chão ou na parede, jogam objetos, entre outras atitudes.

Mesmo sendo estranho ver o filho que era carinhoso e brincalhão, agora intercalar momentos de intolerância e impaciência, reagindo negativamente a coisas que antes ele fazia, sem problemas, não se surpreenda. Isso é normal. Nesta fase, as crianças demonstram com vigor o anseio pela independência e reagem frente à frustração por não serem atendidas. Perceba que logo em seguida, depois de apresentar esta tempestade de emoções, seu filho volta a ser doce e carinhoso, como se nada tivesse acontecido. O fato de não terem a linguagem verbal completamente desenvolvida nesta fase, dificulta que suas emoções sejam expressas de forma tranquila, sendo manifestas através de atitudes e gestos e crises de birra.

O ‘não’ é o primeiro organizador psíquico da criança e é algo muito importante tanto para ela, quanto para os pais. Para os pais porque vai tornar a vida deles mais fácil, e para a criança porque ela tem de ser preparada para a vida e precisa colher os frutos de uma boa educação. Ou seja, dizer “não” é fundamental para criar crianças que respeitem os limites.

Claro que os ataques de birra dos pequenos não são uma coisa bonita de se ver, mas você deve respirar fundo! Além de chutar, gritar ou socar o chão, seu filho pode jogar coisas, bater ou prender a respiração até ficar roxo. Nessa hora, ele não escutará nenhuma “voz da razão”.

Uma tática que pode funcionar é ficar perto do seu filho durante o chilique. Sair da sala ou do quarto e deixá-lo sozinho – por mais tentador que seja – pode fazê-lo se sentir abandonado. A tempestade de emoções que tomou conta da criança pode ser assustadora para ela, e ela gostará de saber que há alguém por perto. Algumas teorias preconizam deixar a criança sozinha, porém, atualmente SABEMOS QUE ISSO NÃO É O ADEQUADO. A criança não faz birra somente porque aprendeu que ela funciona, mas porque é neurologicamente imatura e não consegue controlar este impulso.

Alguns especialistas recomendam carregar a criança no colo, se possível, e dizer-lhe que o abraço é gostoso. Mas outros dizem que é melhor ignorar o chilique até a criança se acalmar, em vez de “recompensar” o comportamento negativo. Você acabará descobrindo o que é melhor para seu filho por meio de tentativa e erro.

Mas, por mais que o chilique dure, não ceda a demandas pouco razoáveis. Bem que dá vontade de fazer isso, para acabar logo com o escândalo, ainda mais quando se está em público. Tente não se preocupar com o que os outros pensam: todo pai e mãe já passaram por isso. Se você ceder, só vai ensinar ao seu filho que espernear é um bom jeito de conseguir o que quer.

Quando a tempestade passar, converse com seu filho sobre o que aconteceu. Diga que você entendeu a frustração dele, e ajude-o a colocar os sentimentos em palavras, dizendo algo como: “Você estava muito bravo porque você não ganhou aquele brinquedo que queria”. Deixe-o perceber que, se ele usar palavras para se expressar, vai conseguir resultados melhores.

Tente evitar situações que possam levar seu filho a ter uma crise de birra. Por exemplo, se ele é do tipo que fica muito mal-humorado quando está com fome, carregue pequenos lanches. Se ele tem problemas na transição de uma atividade para outra, avise-o com antecedência.

Nessa fase, seu filho também está às voltas com a independência, então lhe dê a chance de fazer escolhas sempre que possível. Ninguém gosta de receber ordens a todo instante.

 

Embora ataques e chiliques diários sejam normais quando a criança tem entre 1 e 3 anos, você precisa ficar de olho em possíveis problemas. Pense se houve algum problema sério na família, uma fase de muita correria na vida de todos, se há tensão entre a mamãe e o papai. Tudo isso pode causar esse tipo de comportamento.

Se seu filho tem mais de 2 anos e meio e continua tendo altos ataques de birra todos os dias, converse com o pediatra. Se a criança for mais nova, mas tiver de três a quatro ataques por dia e não cooperar em nenhuma das atividades diárias, como se vestir ou guardar os brinquedos, também pode ser o caso procurar outro tipo de ajuda. O pediatra pode verificar se há algum problema físico ou psicológico mais sério e sugerir maneiras de lidar com a situação.

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SELETIVIDADE E AVERSÃO ALIMENTAR

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Hoje a nutricionista Aline Pinto Woehlert selecionou um texto bem bacana para o nosso blog.

E para as mamães de Porto Alegre, ela tem um programa de orientação nutricional domiciliar que usa alguns dos produtos da BBDU e muitas outras dicas legais. Quem tiver interesse em saber mais pode entrar em contato com ela pelos fones: (51) 8571 3642 e 9905 4727 ou pelo e-mail: nutrindosn@gmail.com

Em breve ela também terá o Programa Lanche Saudável, uma aula de culinária para meninada.

As crianças pequenas com frequência desenvolvem hábitos alimentares que preocupam os pais. Dois desses hábitos alimentares típicos das crianças são a seletividade alimentar e a aversão a alimentos. O termo seletividade alimentar diz respeito à prática de comer apenas um tipo de alimento repetidamente. A aversão a alimentos consiste na recusa a provar ou comer certos alimentos.
A seletividade alimentar e a aversão a alimentos nas crianças não são sintomas de problemas físicos sérios nem psicológicos. De acordo com os Institutos Nacionais da Saúde dos EUA (National Institutes of Health – NIH), esses hábitos alimentares fazem parte do desenvolvimento infantil normal. Eles funcionam como formas pelas quais as crianças tentam afirmar sua independência e exercitar algum controle sobre os acontecimentos diários (NIH).
Como lidar com a seletividade alimentar
As recomendações sobre como lidar com o problema de crianças que têm interesse em comer apenas um tipo de alimento em todas as refeições podem ser surpreendentes. De acordo com o NIH, a melhor coisa que os pais podem fazer é dar o alimento desejado junto com outras opções, desde que o alimento preferido pela criança seja saudável e não seja trabalhoso demais ou difícil de preparar (NIH). Dentro de um período relativamente curto, geralmente a criança começa a consumir uma maior variedade de alimentos.
Se o alimento preferido pela criança não for saudável ou exigir tempo demais para ser preparado, permitir que a criança o coma em todas as refeições não é uma opção razoável nem desejável. A alternativa é oferecer outros alimentos nutritivos nos horários de refeições e lanches. É importante que os pais percebam que a criança não vai passar fome só porque não come o único alimento que quer. Mesmo que a criança não coma praticamente nada no café da manhã, a tendência é de que ela compense comendo mais em algum momento do dia. Recomenda-se que os pais tentem não se preocupar excessivamente se a criança comer menos durante certas refeições.
Como lidar com a aversão a alimentos
Uma das recomendações mais importantes quando uma criança pequena demonstra resistência a provar novos alimentos é não transformar a situação em um problema de grandes proporções. Por exemplo, não é recomendável chantagear, barganhar, ameaçar ou castigar a criança na tentativa de fazê-la provar algum alimento. O melhor é simplesmente continuar a apresentar à criança novos alimentos regularmente. Isso fará com que ela tenha a oportunidade de provar novos alimentos se quiser. Há uma grande chance de que, com o tempo, a criança prove e aceite uma maior variedade de alimentos, o que tornará o momento das refeições mais fácil para pais e filhos.
Ao longo do tempo, comer um número extremamente limitado de alimentos pode fazer com que a criança não receba os nutrientes necessários para o bom funcionamento de seu corpo e a sua saúde. Esse será o caso principalmente se os únicos alimentos que ela quer comer não forem saudáveis. Neste caso, a orientação é procurar o pediatra ou nutricionista para que possa ser feito uma avaliação e acompanhamento mais criterioso.

Nut.Aline Pinto Woehlert, CRN2 5092, RT Nutrição e Saúde.

 

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