DICAS DE ESTIMULAÇÃO DA LINGUAGEM INFANTIL

linguagem-490x367A estimulação do desenvolvimento da linguagem tem início desde o nascimento. Nos primeiros dias de vida o bebê já interage com o mundo externo. Podemos observar isso com a evolução do seu choro, dos seus movimentos motores, oculares; nos períodos de silêncio, atenção e expressão.
A família tem papel fundamental na estimulação da fala das crianças. Quanto mais a criança for exposta à linguagem, maiores condições ela terá de adquirir a própria linguagem.
Seguem algumas dicas para você ajudar seus filhos no início do desenvolvimento de linguagem:

– Aproveite os momentos de maior atenção da criança para conversar com ela, usando palavras simples e frases curtas, falando de igual para igual.

  – Estimule a comunicação da criança, solicitando que a mesma pronuncie, mesmo que incorretamente, tudo o que solicita ou verbaliza. Evite incentivar o uso de gestos indicativos na comunicação, ou seja, não pegue nenhum objeto sem que a criança tenha falado o nome. Ela deve sentir a necessidade de falar.

– Pronuncie corretamente as palavras, usando boa articulação e entonação, sem usar o diminutivo; Desenvolva sempre as palavras ditas pelo seu filho de maneira correta e motivadora, sem infantilizar a sua fala. É muito importante não falar de forma errada, embora pareça engraçado, apenas prejudicará o desenvolvimento da fala da criança. Por isso, não reforce os erros da criança, achando “bonitinho” como ela fala.

– Mesmo que a criança ainda não fale, é importante ter uma comunicação real com ela, conversando sobre o que acontece em seu dia-a-dia, sobre as brincadeiras, etc.

Aproveite as situações do dia-a-dia, como a hora do banho, do vestir, da alimentação, do lazer, do brincar e a hora de assistir televisão para estimular a comunicação da criança, dando, por exemplo, significado aos objetos, nomeando partes do corpo, atribuindo funções aos brinquedos etc.

 – Escutar deve ser muito prazeroso para a criança e ela deve entender que os sons que escuta têm um significado. Use sinal de escuta. Fale sobre o que ela escutou. Estimule a audição da criança por meio de brinquedos que produzam diferentes tipos de sons.

– É muito importante dar um tempo de espera para a criança escutar e responder o que escutou. Também deixe a criança perceber que existe a vez de um falar e outro ouvir.

– Devolva sempre as palavras ditas pela criança de maneira correta e em forma de frases: Por exemplo, a criança pede água: “ága”. Você deve responder: “Você está com sede? Você quer água?”.

– Cantar músicas é excelente para estimular o ritmo da expressão verbal. Cante sempre e estimule-a a cantar com você; deixe que ela complete algumas palavras da canção.

– Assistir desenhos animados e filmes infantis é uma excelente maneira de criar temas comuns. A diversão é garantida e assunto não faltará.

– Mostrar interesse pela leitura. Para a criança que ainda não sabe ler, interprete histórias. Encante os maiores folheando páginas com figuras e lendo alguns trechos. Contar a mesma história várias vezes. A criançada não exige um conto diferente por dia. A repetição interpretada com entusiasmo e criatividade prende a atenção, gerando expectativa e previsibilidade, itens importantes no processo comunicativo.

– Quando estiver conversando com a criança, esteja sempre no seu campo visual, ou seja, mantenha o contato olho no olho. O toque e o olhar são essenciais para o desenvolvimento da criança, valorize o contato com seu filho (a).

– Estimule os órgãos usados para a fala (lábios, língua, bochechas por meio de vibração e estalo de  lábios e língua (de maneira lúdica: imitar som de carro, do cavalo etc) ou por meio de sons onomatopéicos (som do cachorro, do gato, do telefone, da cobra etc).

– Para ajudá-la no desenvolvimento do vocabulário, faça com que ela identifique as atividades realizadas por ela mesma e atividades do cotidiano. Proporcione sempre palavras novas, mesmo que no momento ela não consiga pronunciá-las.

Todos que convivem e cuidam da criança devem estar comprometidos em estimular o seu desenvolvimento.

 

 

Thuila Corezola Ramos

Fonoaudióloga

Crfa 7 – 9786

thuila.fono@gmail.com

 

 

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Linguagem Infantil

fala

 

A evolução da linguagem da criança é um processo gradual e não é igual para todas as crianças. O desenvolvimento da linguagem é um processo muito complexo. Para que ocorra a aquisição e o desenvolvimento adequado da fala e da linguagem, muitos fatores estão envolvidos desde o nascimento do bebê como boa audição, adequado desenvolvimento das funções de sucção, deglutição, respiração e mastigação, cognição entre outros fatores.  Falar implica ouvir e processar o que se ouve, replicar utilizando as palavras adequadas e fazer os movimentos articulares certos possuindo coordenação respiratória. A evolução da linguagem é um processo gradual e não é igual para todos os bebês e crianças – uns têm um ritmo mais lento, outros mais acelerado.

Desenvolvimento esperado da linguagem

De 0 a 3 meses: o bebê reage ao meio através dos reflexos e os adultos dão significados a esses comportamentos. Há presença do sorriso reflexo. Apresenta movimentos corporais bruscos ou acorda ao ouvir estímulo sonoro. Aquieta-se com a voz da mãe.  Procura fonte sonora com movimentos oculares.

De 3 a 8 meses: nesta fase o bebê deixa de reagir e passa a agir sobre o ambiente, aumentando sua atividade exploratória e interessando-se por pessoas e objetos. Pára de chorar ao ouvir música. Começa a voltar a cabeça em direção a um som lateral e próximo.  Já imita, tentando vocalizar com entoação, usa algumas consoantes: ma-ma, pa-pa, da-da, sem significado. Responde ao nome. A compreensão dos comportamentos do bebê se torna mais fácil por parte dos adultos.

De 8 a 12 meses: surge a comunicação intencional, ou seja, a criança compreende que pode usar o outro como meio para satisfazer seus desejos. Porém, utiliza formas de comunicação elementares, como levar a mão do adulto na direção do objeto, olhar para o objeto e para o adulto alternadamente, começa a entender o “não”, usa palavras como mamã ou papá já com significado.

De 12 a 18 meses: a criança passa a utilizar gestos convencionais de comunicação, como “jogar beijo”, “dar tchau”. Nesta idade também surgem as primeiras palavras, que podem ter múltiplas significações; por ex.: chama “cachorro” a todos os animais. Crescimento quantitativo de compreensão e produção de palavras.
Compreende verbos que representam ações concretas (dá, acabou, quer).
Identifica objetos familiares através de nomeação.
Identifica parte do corpo em si mesma.
Utiliza-se de palavra-frase (usa uma palavra que corresponde a um enunciado completo). Repete palavras familiares.

Entre 18 e 24 meses: as orações apresentam dois ou três vocábulos; p. ex.: “nenê bola”, “qué leite”. Presta atenção e compreende histórias. Identifica parte do corpo no outro. Usa o próprio nome.

De 2 a 3 anos: – Iniciam-se seqüências de três elementos, por ex.: “nenê come pão” (fala telegráfica). Aponta gravura de objeto familiar descrito por seu uso. Identifica objetos familiares pelo nome e uso. Aponta cores primárias quando nomeadas (vermelho, azul, amarelo…). Compreende o “Onde ? ” “Como ?” Pergunta o que? Nomeia ações representadas por figuras.

Combina objetos semelhantes.

A partir dos 3 anos aumenta extraordinariamente o número de vocábulos da criança e espera-se que até os 5 anos ela tenha domínio de todos os fonemas (sons) da língua.

Thuila Corezola Ramos

Fonoaudióloga

Crfa 7 – 9786

thuila.fono@gmail.com

 

Desenvolvimento de 12 a 24 meses

Entre os 12 e os 24 meses acontecem três grandes eventos no desenvolvimento da criança. São eles: o caminhar, o crescimento da autonomia e a aquisição da fala.
O caminhar independente é uma aprendizagem emblemática, porque é símbolo de autonomia e mudará substancialmente a relação da criança com o mundo que o rodeia.

A criança fica em pé, conquista com seu corpo o volume e a profundidade. Amplia-se o espaço de domínio, não precisa jogar os objetos para conquistar o espaço. Agora usa seu próprio corpo para fazer o que quer.

A criança buscará experimentar e explorar as possibilidades crescentes do seu corpo em movimento, no que se denomina “explosão motriz”.
Nesta fase, é fundamental que o adulto permita uma maior autonomia na criança, ela precisa aprender e experimentar sozinha. A melhor atitude que os pais podem ter é de estar atentos, e o suficientemente perto para garantir a segurança da criança, mas mantendo uma distância tal que o habilite de ter a liberdade para se aventurar e conhecer o mundo com as suas novas habilidades.

Muitos pais morrem de medo das quedas, mas sem cair ninguém aprende (até caindo a criança aprende a melhor forma de cair), o importante é se assegurar que o espaço é seguro e que, se cair, não vai machucar.

No começo, o caminhar da criança é bem inseguro e instável, a maioria ainda prefere caminhar segurando a mão do adulto. Quando já caminha sozinho, geralmente é um caminhar em bloco (parecendo um robô) e é comum que alterne caminhada com engatinhar. Mais na frente, quando já esta mais firme, consegue caminhar carregando objetos.

Prefiro falar da aquisição do caminhar entre um ano e os 16 meses aproximadamente. Claro que já vi crianças começarem a caminhar bem antes, mas a maioria começa nesta idade. E sim, é importante estimular as crianças a caminhar, mas os pais e a família precisam diminuir a ansiedade para que a criança caminhe. Se ela esta sendo estimulada, ela caminhará quando se sentir segura. Só começa a chamar a minha atenção que uma criança não caminhe aos 18 meses.

Em relação à autonomia, a aquisição do caminhar será central no processo e sentimento de perceber que é uma entidade separada da sua mãe. A partir das possibilidades da aquisição da marcha, dá-se um ir e vir no processo de separação da criança: momentos de afastamento dedicados para exercitar a suas novas capacidades motoras e cognitivas e momentos de união com o adulto. Durante este segundo ano de vida é importante que os pais permitam cada vez mais que seu filho faça coisas sozinho, deixar de lado a questão que eles vão se sujar ou não fazer direito sozinhos. É importante lembrar que eles aprendem uma conduta repetindo-a muitas e muitas vezes (ensaio e erro).

Aquisição da fala

Esta fase se caracteriza pelo uso das palavras verdadeiramente simbólicas, ou seja, que representam os objetos, eventos ou pessoas sem a presença delas.

A compreensão do código linguístico segue progredindo aceleradamente, mantendo uma diferença significativa entre a rapidez com que se desenvolve a compreensão e o aumento, relativamente lento, do número de palavras faladas. Ou seja, a criança conhece o nome de muitas coisas, mas ainda não consegue pronunciar.

  • 12 meses: entende um bom número de palavras mais pronuncia de 2 a 3. A criança costuma estar mais focada no processo de caminhar e por isso o de falar fica um pouco estancado.
  • 14 meses: 4-5 palavras. É frequente que tenha uma favorita.
  • 18 meses: Seu nível de compreensão melhora notavelmente. Começa a pedir as coisas apontando ou nomeando os objetos. Pode pronunciar corretamente uma média de 10 palavras e aponta algumas partes do seu corpo. A partir deste momento, começa a aumentar significativamente a quantidade de palavras faladas.
  • 2 anos:Utiliza novas palavras. Passam de 50 palavras para 200 palavras. Interessa-se mais pela comunicação verbal e já é capaz de expressar frases de duas a três palavras e utilizar alguns pronomes pessoais (eu, tu, ela).

Principais aquisições aos 12 meses:

  • Caminha de mão com o adulto.
  • Coloca objetos dentro de uma caixa e desliza objetos.
  • Tenta repetir palavras e aponta com o dedo o que deseja.
  • Responde a ordens verbais simples.
  • Cada vez consegue ficar mais tempo brincando sozinho.
  • Manifesta a sua agressividade claramente fazendo birra ou ficando brava.

Sinais de alerta: Ausência de uma ou mais condutas para os 12 meses. Falta de interesse por movimentar-se, por brinquedos novos ou pelo seu entorno. Apego excessivo pelas pessoas que o rodeiam. Submissão (criança boa demais). Graves dificuldades na alimentação ou no sono. Choro frequente sem motivo aparente.

Principais aquisições aos 18 meses:

  • Emite frases simples.
  • Responde a ordens simples.
  • Melhora o equilíbrio e a coordenação para atividades motoras.
  • Caminha sozinha.
  • Chuta uma bola.
  • Bebe líquidos em copinho sozinho.
  • Constrói torres com dois ou mais cubos.
  • Começa a correr.
  • Sobe escada com ajuda.
  • Pula.

Sinais de alerta: Ausência de uma ou mais condutas para os 18 meses. Graves dificuldades na alimentação ou sono. Enfermidades frequentes. Criança muito passiva. Falta de iniciativa. Ausência de brincadeiras. Insensibilidade à dor. Birras em excesso. Medos acentuados ou pouco habituais.

Principais aquisições aos 2 anos:

  • Simboliza em suas brincadeiras situações cotidianas (cozinhar, limpar, cuidar, etc.)
  • Tenta unir palavras para expressar suas ideias.
  • Adquire equilíbrio e coordenação em atividades complexas: caminhar, saltar, correr e trepar.
  • Lança uma bola.
  • Fica parado em um pé com ajuda.
  • Constrói uma torre de 4 cubos ou mais.
  • Rabisca.
  • Frente a quatro objetos conhecidos é capaz de nomear pelo menos um.
  • Cumpre ordens simples.
  • Usa colher.
  • Tira algumas roupas sozinho.
  • Brinca de forma paralela (individualmente frente a outra criança)
  • Começará a adquirir hábitos: lavar e secar as mãos e o rosto.

Sinais de alerta: Ausência de uma ou mais condutas para os 2 anos. Graves dificuldades na alimentação ou no sono. Enfermidades frequentes. Submissão demais. Muito dependente do adulto. Criança muito passiva. Falta de interesse pelo ambiente (pessoas e objetos). Excessivamente agressivo. Ausência de linguagem verbal.

Lic. em Psicomotricidade Manuelita Dotti
dottimanuela@gmail.com